sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

1º de Setembro 1939


(...) Passamos por alguns blindados inimigos destruídos. Como se já não bastasse a poeira que levantava do solo por onde os tanques passavam a fumaça dos destroços dificultava ainda mais a respiração. Aquilo tudo era novo para mim, vi os corpos dos inimigos. Parei e fitei um dos homens estarrado no chão. Seu rifle estava longe. Seus olhos estavam arregalados, mas sua face não tinha expressão nenhuma. Quem era ele? Quem era sua família? Era pai? Agora não mais. Pensei por um momento que eu poderia estar no lugar daquele homem, mas isso não fazia muito sentido. Segundo nosso líder, éramos uma raça superior e conquistaríamos a Polônia em poucos menos de 3 semanas. Falava comigo mesmo quando tudo aconteceu. Algo explodiu a uns 100 metros na frente. Tiros, muitos tiros. Meu coração acelerou, o instinto logo fez com que deitasse no chão. Eu tentava levantar a cabeça para ver algo, mas não conseguia. Escutei um estouro no meu flanco, era um tanque, dos nossos, porém vinha em minha direção. Estava paralisado Foi quando me senti enforcado com a gola da camisa e logo percebi que estava sendo arrastado. Era meu Oberscharführer (sargento) estavámos dentro de uma cratera de umas bomba quando paramos. Eu via seus lábios se mexerem, mas não fazia idéia do que tentava me dizer, mas sua expressão da face dava a entender que estava me xingando. Pegou meu rifle e colocou em minhas mãos. Como um capataz de escravos com um chicote nas mãos ele me ordenou para atirar no inimigo. Eu estava com falta de ar, meu peito doía quando puxava o ar para dentro dos pulmões. Tentei mirar, mas não conseguia minha vista estava embaçada com alguns pontos brilhantes aleatoriamente espalhadas por ela. Nesse momento entendi a expressão ver estrelas. Não mirava em nada, mas fui apertando o gatilho. Carreguei e atirei de novo. Pouco a pouco os tiros foram diminuindo. Até o momento de eu escutar o Waffenruhe (cessar-fogo).(...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário